Centro Histórico E Cultural Vila Santa Thereza - Bagé/RS
Bagé, Brasil
Antônio de Ribeiro Magalhães já havia fundado nos arredores de Bagé (atual bairro Pedra branca) a Charqueada do Cotovelo, em meio a Rev. Federalista. Ali prosperou devido ao seu poderoso tino de administrador. Pouco tempo depois, comprou uma fração de campo na parte superior da cidade de Bagé à margem da estrada de ferro do Quebrachinho a 6km do centro da cidade. No local, construiu a Charqueada Santa Thereza inaugurada em 21 de fevereiro de 1897. Durante a primeira safra abateu cerca de 14.000 reses. Desde então o progresso foi constantemente ascendente, até alcançar a cifra de 50.000 reses. Em 1904 arrendou a Companhia Industrial Bajeense, três anos depois ele comprou-a e passou a chamá-la de Charqueada Industrial (atual Mercosul). O Visconde era um dos mais opulentos proprietários de terras do Rio Grande do Sul. Possuía 10 léguas de campo e várias estâncias: Estância 5 salsos; Estância Rio Negro; Estância da Carpintaria e Estância da Formosa e Santa Thereza. Seu rebanho bovino ultrapassava a cifra de 30.000 cabeças. Em 1916 era considerado o mais forte proprietário de prédios (30) e terras (32,600ha) de Bagé e o segundo contribuinte do Estado em imposto territorial. Também tinha propriedades em Rio Grande, Cassino, São Paulo e Portugal. Em Bagé era proprietário da atual câmara de vereadores, banco Itaú, hotel do commércio, prédios e terrenos na Rua Sete de Setembro, General Osório, Conde de Porto Alegre, Dr. Veríssimo, Almirante Gonçalves, além dos prédios de Santa Thereza. Com a falência do Visconde em 1923 parte dos seus bens foram vendidos para saldar dívidas. No século 19, a produção de charque era a principal atividade econômica do Rio Grande do Sul. As charqueadas iniciaram no século XVIII, os animais eram abatidos no campo e suas carnes eram tratadas com pouquíssimo sal. A charqueada mais importante foi a de Santa Thereza, seu proprietário, Sr. Antônio Ribeiro de Magalhães escolheu o nome Santa Thereza em homenagem a sua esposa Tereza Pimentel Magalhães. Bagé foi considerada a capital do charque em 1939. Foi em função disso, e do espírito empreendedor do Visconde Ribeiro de Magalhães, que nasceu, em 1897, a Vila Santa Thereza, um aglomerado urbano no município de Bagé, RS, próximo à fronteira com o Uruguai. Implantadas ao longo de uma antiga ferrovia, as construções históricas que compunham a vila estavam se deteriorando até 2003, ano em que se iniciou o processo de restauração. O Centro Histórico da Vila Santa Thereza se estende por cerca de um hectare. Trata-se da vila operária modelo, de um empreendimento que chegou a ter 800 funcionários. Em sua época, Magalhães foi o segundo maior proprietário de terras do estado, em sua maioria destinadas à criação de gado. Na vila de Bagé, ele processava a carne bovina em charqueadas salgando-a, em procedimento comum antes da refrigeração. O português era tão progressista que, antes da chegada da luz em Bagé, a Vila de Santa Thereza já tinha sua própria energia gerada por uma pequena usina hidrelétrica. O português Antônio Nunes de Ribeiro Magalhães - "Visconde de Magalhães" chegou ao Brasil com apenas 12 anos de idade, estabeleceu-se em Bagé em 1872, personagem de grande tenacidade e marcante capacidade empreendedora, foi capaz de construir, em plena Campanha Gaúcha do século XIX (sete quilômetros do centro de Bagé), um aglomerado urbano que oferecia moradia, cultura, lazer e consumo aos operários de suas indústrias de carne. Havia uma esplêndida "quadra de tênis", para que, nas horas de lazer, os funcionários cultivassem este belo esporte. Ele mantinha na "Vila Operária" cerca de oitocentas pessoas, entre trabalhadores e seus familiares. No complexo da Charqueada S. Thereza, em sua residência, o Visconde recebia pessoas ilustres: artistas, políticos e figuras de projeção nacional e internacional. O complexo urbano e industrial edificado no entorno da Charqueada Santa Thereza era formado por: vila de operários, palacete do proprietário, capela, coreto, teatro, padaria, avenidas arborizadas, indústria de derivados, quinta, lagos artificiais, serralheria, alfaiataria, mecânica, almoxarifado, ferraria, quadra de tênis, fábrica de tonéis, olaria, coreto, fábrica de mosaicos, fábrica de adubos, carpintaria, restaurante popular, Colégio (com mais de 60 alunos) etc. A "quinta", com 500 m de frente p 400 m de fundos, com vários tipos d frutas. Um "parreiral" que garantia a produção de 50 pipas de vinho p ano e um "viveiro" de aves exóticas, como pavão, codornas, pombos correio e faisões. O fundador morreu em 1926, mas o complexo industrial funcionou até 1962, época do último abate. A partir de então, ficou parcialmente abandonado. "Uma vila que é pura história" Visconde Ribeiro de Magalhães inaugurou sua charqueada em 1897. Decidiu não só erguer a indústria, mas criar uma estrutura para que os mais de 800 funcionários e seus familiares desfrutassem do local como se estivessem em uma pequena cidade situada no interior de Bagé. O investimento foi tão grande e chamou tanto a atenção da região que a assim chamada Vila de Santa Thereza chegou a ser difundida como modelo de urbanização para a região da Campanha. Na época, havia até energia elétrica, recurso que só chegaria à própria cidade de Bagé anos depois. Com a morte do Visconde, em 1926, as famílias Móglia e Prati assumiram o controle da charqueada e de todo o seu entorno. Na década de 1960, as atividades foram encerradas. O prédio da antiga indústria atualmente está ocupado por uma empresa transportadora. Outros prédios foram adquiridos por pessoas físicas e até pela prefeitura, como é o caso do antigo posto médico da vila, que virou uma escola da rede municipal de educação. A história da Vila de Santa Tereza, a mais antiga de Bagé, se confunde com a do município. Tudo começou com a charqueada construída em 1891 a partir daí, formou-se um complexo que chegou a abrigar 840 trabalhadores. O local tinha desde hospital, hotel e escola até estação férrea e capela. Apesar de todo esse potencial histórico, a vila hoje é sinônimo de ruínas, por abandono e vandalismo. Para salvar o acervo histórico, a comunidade iniciou um movimento visando restaurar os principais prédios dessa área. Aos 65 anos recebeu do rei de Portugal, Dom Carlos, o título de visconde, em reconhecimento à obra realizada no Brasil. Nesse local, o visconde costumava receber personagens ilustres, como o escritor Olavo Bilac, e distribuir lembranças da cidade de Bagé. Alamedas, casas de boa construção e acesso arborizado impressionam os viajantes que chegavam à Vila Santa Tereza. A faixa, que correspondia ao eixo ferroviário, foi ocupada por um calçadão que configura um passeio público. Ali, foram plantadas palmeiras provenientes do próprio local. "A transformação do calçadão em praça, em frente à capela e ao teatro, é uma interpretação de como a antiga vila poderia funcionar". A praça que estabelece a nova centralidade da vila é delimitada, de um lado, pelas edificações antigas e, do outro, por um muro de arrimo. Restritos a pedestres, o calçadão e a praça foram pavimentados com placas de cimento pré-moldado e pedriscos brancos. Um belvedere assinala o início do percurso que se estende até a antiga e pequena estação, percorrendo o museu, o novo teatro, a capela e as casas dispostas em fita, onde residiam os antigos operários da indústria de carne. Tesouro bajeense Bagé reencontra no interior do município, uma pequena relíquia de grande importância histórica e cultural, o chamado "Centro histórico da Vila Santa Thereza". "DE RUÍNAS A CENTRO HISTÓRICO" "25 de outubro de 2008", foi inaugurada a primeira etapa da revitalização do sítio histórico, a Vila Santa Thereza, em Bagé, voltou a escutar os badalos do sino de sua capela. É um toque de despertar para esta pequena comunidade que estava fadada às ruínas, destino interrompido em 2005, quando começou o restauro dos prédios construídos no entorno da antiga Charqueada do Visconde Ribeiro de Magalhães. "Um passado de orgulho e desenvolvimento" O lugar ganhou oficialmente o nome de Centro Histórico Vila de Santa Thereza. Seu restauro, que recupera prédios que estavam em ruínas, é fruto de um insistente trabalho da Associação Pró-Santa Thereza, fundada em 2003. O grupo é capitaneado por Irecê Móglia, 81 anos, da família que comprou a charqueada depois que o Visconde morreu e Maria Luísa Teixeira da Luz,68 anos, bisneta do Visconde Ribeiro de Magalhães. - O que impressiona é a visão que ele (Visconde) teve: implantar vida urbana em plena campanha, com bonde e um teatro que chegou a funcionar como cinema A Vila Santa Thereza comportava cerca de mil pessoas. As casas eram construídas “de material” (alvenaria) e alugadas para os trabalhadores da charqueada. Possuía luz elétrica e um “moderno sistema de iluminação com gás acetileno”. Um dínamo elétrico fornecia energia” ao local. Conforme o jornal O Comércio, havia aproximadamente 1500 lâmpadas em toda a vila. A vila possui três conjuntos de casas: o primeiro localizado em frente à charqueada Santa Thereza (indústria de charque), o segundo próximo à Indústria de Derivados e o terceiro em frente à Charqueada Industrial (todas eram propriedades do Visconde). O Armazém de Silvério de Souza localiza-se no conjunto de casas localizados em frente à fábrica de charque. Ao lado da área destinada ao comércio (perceptível na foto pelas três portas de acesso do Armazém) está germinada a casa do proprietário do estabelecimento, similar às casas dos trabalhadores. Atualmente, o Armazém de Silvério dos Reis restringe-se a ruínas, assim como a maioria das estruturas remanescentes do que foi a antiga Charqueada Santa Thereza. Bagé/RS